01/07/2018

Resenha|| A Mulher Entre Nós, Greer Hendricks and Sarah Pekkanen



"Ouvir a respeito dos padrões compulsivos de outras pessoas faz com que eu consiga me manter afastada por um tempo dos meus"



Título: A mulher entre Nós
Autora: Greer Hendricks and Sarah Pekkanen
Editora: Selo Paralela ( Companhia das Letras)
Páginas: 352



Um livro de suspense que explora as complexidades do casamento e as verdades perigosas que ignoramos em nome do amor. Aos 37 anos, a recém divorciada Vanessa está no fundo do poço. Deprimida, morando no apartamento de sua tia, ela não tem filhos, dinheiro ou amigos verdadeiros. Ao descobrir que Richard, seu rico e carismático ex-marido, está prestes a se casar de novo, algo dentro de Vanessa se quebra. A partir de agora, sua vida irá revolver em torno de uma única obsessão: impedir esse matrimônio. Custe o que custar. Na superfície, Nellie se parece com qualquer outra jovem bela e sonhadora que veio para Manhattan começar sua tão sonhada vida adulta. Mas a personalidade tranquila que ostenta é apenas uma fachada. 


A mulher entre Nós é um thriller de teor psicológico escrito por duas autoras: Greer Hendricks and Sarah Pekknanen, lançado pela editora paralela. A obra em si falará de mulheres fragilizadas com suas inseguranças, receios e dilemas. Contará com a presença de personagens que nos surpreendem em determinado momento da trama.

Dessa forma, o livro é dividido em três partes. Na primeira conhecemos Nessie e Vanessa, que passam por problemas traumáticos. Nessie é uma jovem simples, que ao se mudar para a cidade conhece o cara dos sonhos. Esse sentimento mútuo não poderia acontecer outra coisa se não o pedido de casamento. Apesar destes sonhos, Nessie vive dentro de uma paranoia constante. Cheia de inseguranças que tem relação com o seu passado.

Ao saber que o seu marido irá casar, Vanessa entra em uma especie de obsessão, onde seu único desejo é impedir que este casamento aconteça. Para uma mulher de 37 anos, divorciada e "bem sucedida" ela deveria tentar seguir em frente, mas não é isto que acontece. Ela é o tipo de mulher que tenta manter as aparências, porque por mais que ela tente, ela sabe que está se afundando no próprio desespero mental em buscar o retorno da vida que tinha antes. Mas calma, se você leu até aqui... Nem tudo é como você pensa.

Apesar da premissa, a ideia de elaborar uma trama que lide com a violência psicológica e os estigmas do passado, A mulher entre nós é previsível em alguns pontos. Os capítulos iniciais são lentos pelas várias descrições em conhecer a Nessie e a Vanessa, ou seja, a primeira parte não tem aquele "q" que preenche as suas expectativas. Por outro lado, quando começamos a ligar os pontos vamos entendendo que não é nada daquilo que pensávamos. Esse é o ponto máximo da trama, que permanece por alguns capítulos.  Descobrimos rapidamente o diferencial da obra, e do meio para o final já não há "novidades" para o gênero. Mas a vontade de continuar e saber o desfecho da trama se mantém.

"A verdade é o único caminho para seguir em frente"

A segunda parte me fisgou de cara por envolver ligações entre o passado e o presente. Enquanto na primeira parte há capítulos intercalados para conhecer Nessie e Vanessa; na segunda parte a preocupação maior é pelo desenvolvimento das construções psicológicas para que o leitor descubra de fato o que está acontecendo. Os momentos de tensão são as ligações estranhas que Nessie recebe, antes do seu casamento. O que me fez ter a mesma sensação que Nessie: Quem está ligando?


As autoras trazem elementos já conhecidos do gênero, sem tantas novidades. Talvez esse "algo" a mais para manter a expectativa do leitor fosse necessário, para não entregar tão rápido o segredo por trás da narrativa. Lógico, que elas souberam escrever de forma brilhante sobre o assunto: violência psicológica. Algo que quase não vemos em narrativas como essa, e que nos fazem refletir sobre o "por quê" tendemos a nos manter em relacionamentos abusivos.

No mais, a editora Paralela está de parabéns com a criação da capa, escolha semântica de cores que traduzem o universo dessas mulheres como também a escolha diagramação que não deixa a desejar. Esta é uma obra para ser lida sem tantas expectativas, mas que te agrada pelas escolhas do desfecho posto a nos surpreender. Um thriller psicológico que fala muito mais pela temática, e que precisa ser discutida com frequência para conscientizar as mulheres sobre a escolha de seus relacionamentos.


"Os sintomas da excitação e do medo podem se misturar"

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