30/06/2018

Resenha|| Tempo de (Im) perfeição, Lilian Vaccaro




“Mulher gosta de sempre ter razão não é mesmo? Digo isto porque já fui um pouco inflexível. Achava que poderia abraçar o mundo com os dois braços e fazer tudo alçar um voo plano e tranquilo.”
Título: Tempo de (Imp)perfeição
Autora: Lilian Vaccaro
Editora: Editora Coerência
Páginas: 250
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Seria muito simples, narrar pra vocês os períodos de primavera, em que sorri, ou corri atrás das borboletas. Seria muito simples, falar que o encanto da vida, se resume apenas em fases felizes. Não são assim os contos de fadas? Eu bem sei disso, afinal, antes de ser uma mulher, sempre fui uma menina.
Com sonhos, dentre tantas as outras, e com um punhado de ideologias como ser a garota perfeita. Logo chegaria a famosa fase das paqueras, o primeiro beijo, o casamento. AI MEU DEUS! E se eu não estivesse preparada? E se… a menina que existia dentro de mim, não estivesse pronta pra crescer?
Milhões de dúvidas, muitos caminhos a serem seguidos, e a grande expectativa. Eu vou conseguir (sobre)viver com todos esses anseios?
Depois de todos esses anos, eu resolvi contar a todos o que eu sei. O que eu vivi na pele, e todos os caminhos que ultrapassei para ser quem hoje, eu sou.
Embora espero que esteja ciente que este livro não é uma obra baseada em fatos reais. É mais que isso. Este livro é a minha vida. Ou chame-o de uma bela jornada do casulo, ao primeiro voo da borboleta.
Talvez você se encontre nele. Talvez chore com ele. Talvez esteja ainda vivendo o tempo do casulo. Mas quero trazer uma simples e breve mensagem a você;
NÃO DESISTA DE VOAR…
A VISTA É LINDA!
Vamos voar?


Estou pegando o gosto em ler biografias e autobiografias para aprender a escutar o Outro. Muitas vezes, nos importamos de falar apenas de si, esquecendo o quão importante é aprender com as pessoas e saber que cada ser humano tem algo a nos ensinar ( de bom ou de ruim). Isto é o que mantem o equilíbrio. Por isso, a obra Tempo de (Im)perfeição, escrito pela Lilian Vaccaro, lançado pela editora Coerência, passa a importância desse caminho de aceitação e como é difícil rejeitar o olhar do Outro sobre nós.

Lilian é uma mulher de metamorfoses constantes. Por meio do seu relato ela revela que teve uma infância divertida, de orgulhar os pais. Sempre inteligente e estudiosa, a moça buscou se formar no magistério, onde enfrentou longos anos em sala de aula, fazendo aquilo que amava. Essa foi uma das partes com as quais me identifiquei, porque há dias em que nos decepcionamos tanto como também há dias que nos sentimos realizadas. Nesse período, a Lilian descobriu que tinha de se reiventar e buscar amadurecimento. Chega um momento em que a linha constante da tranquila nos deixa na zona de conforto, e isso passa a nos incomodar. Lilian é um raro exemplo de mulheres modernas que saem de casa e vestem as suas armaduras para lidar com as dificuldades diárias.

“Nosso orgulho nos cega. Nossos excessos também.”

O livro tece criticas sobre a dureza de viver na sociedade atual, de um jeito bem-humorado. Pela leitura nos conseguimos perceber as características do gênero autobiográfico, como também o chic-lit pelas boas risadas que damos em diversas situações.

Rimos e choramos em determinados momentos, quando Lilian fala para o leitor que não existe perfeição, e como foi difícil aceitar isso. Sua rotina diária já não era mais como antes. O casamento lhe trouxe responsabilidades, do mesmo modo que o nascimento dos seus filhos. Seu grande dilema era lidar com a : obesidade e as consequências que levaram ao preconceito.

Pouco a pouco, a Lilian nos incita que o amadurecimento é necessário, e como é importante manter o equilíbrio mental. Ela fala/ conversa com nós mulheres que nos dividimos em várias atividades diárias e como é duro aceitar algo que dá errado. Por outro lado, vemos que as transformações pelas quais ela passou foram pontuais para provar que ela é capa de se reinventar e dar a volta por cima.

“Se errar por amor fosse um crime, bem, eu já estaria condenada a muito tempo, nesses altos e baixos da minha vida.”

Um ponto que achei interessante na obra foi a divisão do livro em dois momentos: o primeiro se dedicou em inteirar o leitor na  infância e juventude da Lilian; e o segundo passa a focar nas dificuldades e responsabilidades diárias.  Esse drama moderno é tão atual, que precisa ser discutido. Mais do que um relato autobiográfico, Lilian abri o jogo e conta que não foi fácil chegar aonde está. É preciso coragem para entrar em metamorfoses contantes, por isso a borboleta que perpassa a diagramação não colocada à toa, ela tem um significado.


O livro como um todo está belissímo. Caimos em um desfiladeiro de emoções até entender que estamos em constante processo de transformação e que isto faz parte da nossa identidade. A diagramação, escolha de fonte e folhas amareladas nos deixam confortáveis com essa leitura. Este é um livro escrito para todas as mulheres que se identificam com as dificuldades da vida, que sabem que mudanças são importantes e que nem sempre é fácil manter o equilíbrio. 


“Um ato de loucura pode salvar uma vida, e um ato de ousadia pode te lançar ao improvável.”

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